Logotipo Apeca
APECA
Associação Portuguesa das Empresas de Contabilidade, Auditoria e Administração
Tornar-se associado | Log in  Login de associado

 

  Boletim Actual
 

Editorial do Boletim n.º 123

Fernando Santos
Fernando Santos

Rasgada, com vontade e sem saudade, a folha do calendário de Dezembro desapareceu, o mesmo não acontecendo ao rol de angústias, preocupações e desalentos que já lá estão evidenciados na primeira quadrícula do Janeiro seguinte.

Perdoem-me esta exteriorização de sentimentos mas, em presença de todo o arsenal bélico que, ultimamente, tem sido dirigido aos Técnicos Oficiais de Contas e, por consequência, às Empresas de Contabilidade, tudo me conduz para a conclusão que estes devem estar a ser rotulados com a culpa de algo muito perverso.

Sinto-me pessimista em relação ao futuro; não o consigo evitar mesmo lançando mão a alguns farrapos de esperança que apanho pelo caminho.

Razões?!

Pode ser a idade; pode ser a saturação dos muitos anos dedicados ao debitar e creditar; pode ser a ansiedade pela aproximação ao espelho sem saber o que vou encontrar; pode ser a busca de um equilíbrio de forças entre o zero e o infinito; pode ser…

Aceito a crítica ao meu comportamento nada construtivo, reconheço-a merecida, e penitencio-me por tal; mas o certo, indesmentível, é que as provações estão no terreno, vertidas em ordens a preto e branco que nos obrigam a viver vidas cinzentas.

Um muito significativo número de Empresas de Contabilidade estão a chegar – se ainda não chegaram – a uma encruzilhada na qual têm de parar para decidir qual o rumo a seguir sob pena de calcorrear para o abismo; efectivamente, não só pelo presente como também pelo que se perspectiva para um futuro próximo, há que assumir decisões de extrema importância que podem colidir com a sua própria sobrevivência.

Estão em jogo muitos e muitos anos de sacrifícios, de opções, de privações; a dedicação exclusiva à actividade e permanente disponibilidade para acorrer às mais díspares necessidades dos Clientes, muitas das quais extravasando as funções contabilísticas, era merecedora de um justo tratamento protector.

Mesmo correndo o risco de me contradizer pelo desânimo assumido, estou na primeira linha juntamente com todos os Colegas que sintam o risco em seu redor.

Posso viver com a vitória, mas nunca poderei viver com a derrota sabendo que não batalhei.

Aguardemos. O tempo o dirá, mas a espera não pode ser muito longa pois o inesperado da vida presta-se a insondáveis surpresas, algumas verdadeiramente arrasadoras.

Neste contexto, permito-me, contando com a habitual benevolência de quem tem a maçada e amabilidade de ler a minha verborreia escrita, de aproveitar este espaço para referenciar uma ocorrência que me afectou profundamente no final de 2005: o falecimento de um Amigo, e um dos pioneiros da APECA.

Fernando Lima, meu Amigo sincero há mais de meio século, meu irmão só do peito, mas mais que de sangue, sem que nada o fizesse prever, Deus levou-o.

Ambos filhos únicos, as confidências eram recíprocas e procurávamos um no outro, quanto mais não fosse, apenas uma simples palavra de compreensão ou um fraternal ralhete quando a razão andava afastada dos nossos argumentos.

Juntos, começámos nas contabilidades, em regime livre, em meados da década de sessenta; sociedade de irmãos que nunca foi vertida para o papel mas sempre funcionou sem necessidade de artigos e parágrafos. As assembleias eram confraternizações; as actas eram abraços.

Nesses tempos, bem longe para uns, bem perto para outros, as relações interpessoais eram sinceras e generosas e a ajuda mútua era prestada sem objectivar contrapartidas.

Os anos foram passando e cada um seguiu o seu trilho profissional, mas a amizade cimentada em dificuldades vencidas foi-se consolidando; as famílias foram envolvidas na nossa cumplicidade e perdurou a ajuda mútua nos casos em que se justificava uma muleta companheira.

A APECA esteve sempre consigo; ambos fizemos parte da Comissão que redigiu os primeiros Estatutos da nossa Associação e, por diversas vezes, integrou os seus Órgãos Sociais.

Os mimos que me sensibilizavam, o pão de ló da Páscoa, o bolo-rei do Natal, o Fita-Azul em caixas de três, os “kinders” para as miúdas, acabaram.

Porque o Lima, entre nós, também acabou.

Deus acolhe-o no Céu porque ele o mereceu aqui na terra.

FERNANDO SANTOS


Associação


 


APECA 2004 (C) - Todos os direitos reservados - | Copyright | Mapa do Site |


Desenvolvimento de: Digilex

Design de: Factor Digital